BIOGRAFIA DE EDIMO GINOT



Formado em jornalismo, fez pós graduação em informática.
Escreve em soluços. Breves períodos em que consigue colocar
algumas coisas para fora (ou pra dentro... quem sabe).
Edimo Ginot


o louco


aquele homem andava a esmo
tal qual defunto sem cova
procurando por ele mesmo
procurando uma boa nova

tinha um andar titubeante
dos que vivem n’outra esfera
e no seu pensar destoante
já nem sabia quem era

por isso às vezes sorria
mas quase sempre chorava
pois pensava que sabia
mas quase nunca pensava

de tanto vagar pela vida
sentiu que a vida vagava
todo dia era partida
mas nada nunca chegava

tão louco, que às vezes morria
e mais louco ainda, ressuscitava



por falar em loucura...


...há o louco
da própria loucura
que enlouqueceu
na rigidez da estrutura
e que se perdeu
na razão da procura
e que se consumiu
na face escura

e há o louco
da sóbria lucidez
que se fez
no perfil da rigidez
que sempre achou
a loucura insensatez
mas de tão sensato
louco se fez

e eu observo
a loucura crescer
apenas preservo
meu jeito e ser
um grito contido
que é meu viver
um louco varrido...

ou quem sabe a varrer

quase divino


fui criado à revelia
numa insana invenção
mas virei alegoria
um deus sem direção

ao querer a luz divina
numa estranha inversão
numa semelhança cretina
fui, do homem, a criação

imputaram-me onipotência
a bondade e o perdão
mas vivem na demência
nos devaneios da paixão

se o fato fosse inverso
até que não seria mal
eu seria rei do universo
e traria o juízo final

 

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