BIOGRAFIA - Fátima Batista
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Em anos passados, descobri que sabia juntar letras, e juntando letras criava palavras – entre letras e palavras, fazia jogos, por vezes sutis, outras nem tanto colocando a alma na ponta dos dedos.
Em meio ao letrar, quis também jogar tintas por entre dedos, e de lá construí pequenos castelos, grandes elos azuis, passagens para outras vidas, e assim vivo, colorindo a letra e escrevendo a tinta numa pretensa vida de artista.


Poesia Incerta

Andei em busca da poesia
Daquela de calar a alma
De fazer sorrir, e quem sabe, mais tarde fazer chorar
Andei incerta
Busquei todas aquelas palavras certas
Combinadas, acentuadas,
Daquelas de fechar a boca, de abrir os olhos
Encher o peito e pensar

Procurei por incertas palavras
Em certos sentidos
Para sentidos incertos
Em um tempo incerto
De presente aberto

Encontrei
Poesia incerta
Poesia mais que certa
Em fechadas palavras
Que não entendi
Não apreendi
Então dores vivi

Encontrei palavras d’alma
Outras sem calma
Que minh’alma não salva
Mas busca sossego

Tempo presente, incerto na mente
O grito d’alma
Que sabe o certo
Que o tempo passou
Mas aguarda e guarda
Lá na frente, em outro tempo
O incerto da poesia chegar

Nada

Olhava para ela
Da minha janela
- Era tão bela!

A vida
Que passava
Que prometia doces aquarelas

Tão fagueira
Tão ligeira
Em linhas paralelas

Sobraram
Gotas de chuva
Desfolhando-se em pétalas

Escorreram
Remotas e suaves
Por entre calçadas
Quebradas
A escoar em solo móvel

Na janela
Lacrada
O interno escuro
- A sombra do muro