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Formado em Desenho Industrial pela UFRJ em 1986, presto Assessoria a empresas
em Propriedade Intelectual,
Gestor em Tecnologias e Técnico de Patentes pela PUC-RJ/INPI.
Escrevo e pinto desde os 13 (treze anos) e nunca parei.
Autodidata, estudioso em literatura, artes e física quântica.
Roberto Girard
Caminhaste numa margem
Caminhaste numa margem
E não enxergavas a outra,
E te mostraram a outra margem
E a que caminhastes antes, perdeu-se...
Aquele nó desfez-se, e te lançastes ao rio
E na outra margem que te mostraram
Também caminhastes, e nessa margem
Os passos se perderam...
Mas o rio continua a desbravar as duas margens
Ele não para, ora em furia, ora em calmaria,
E teu pranto juntou-se aos leitos
A contribuir com novos desafios...
Os rios correm, as pedras rolam
Algumas insistentes ficam ao caminho, incomodam
Às vezes cânhamos a nos abrir feridas
Outras, às vezes a nos mostrar saídas...
E as pedras tem seu enigma, sólidas
Fechadas, robustas, herméticas... complicadas
Sem saídas, são o que são
Pedras constituídas...
Só que elas se esquecem
Que aquela água que lhes bate, que acaricia
As molda de verdade
Em todos os segundos do dia...
Então vejamos, as margens, as pedras
O que seriam?
Não sei...
Mas te negaram ser água que sacia...
Então!!!??? O que fazer???
Talvez nada... talvez tudo...
Talvez tivesses sido pedra
Aos olhos de quem não te conhecia...
E aí...os muros se moldam
Os egoísmos solidificam,
A esperança morre...
E o amor? Onde fica?
Não fica...
É efêmero, é eterno
É o que se leva
É o quinhão da vida...
É preciso um porto seguro...
Para que a ansiedade se vá,
Uma construção pontuada
De amor e carinho,
De entrega incondicional
E ouvidos atentos,
Os sentidos aguçados ao acerto
E as inseguranças ao acaso,
E o que se posta no momento
São fragmentos d’uma colcha de retalhos,
Um quebra-cabeças sem fim,
de imagens sonhadas e reeditadas do passado,
que se findam...
com novos personagens e cenários inéditos...
Mas...
Qual o verdadeiro sentido de tudo isso???
O sentido de pisar os pés na terra
E revolver aquele mundo invisível aos olhos,
O sentido de caminhar por lugares
Nunca d’antes imaginados,
O sentido em ver a expressão singela
No sorriso de uma criança,
A rigidez na têz e no corpo arcado
De um jovem coração idoso,
O sentido da leveza num corpo juvenil
Num turbilhão de desejos e fantasias,
O sentido de ver a vida escorrer pelas mãos
E sorver somente pequena parte deste quinhão,
Qual o sentido de se correr tanto
Se o lugar comum é o mesmo que se habita,
O sentido das glórias efêmeras, das posições
Se tudo é consumido por uma só espécie,
O sentido de amarguras profundas
Se elas se prendem pelo que achamos
E não pelo que de fato elas são,
O sentido de palavras inconseqüentes
Se o íntimo não as quer pronunciar,
O sentido de buscar novos protagonistas
E os antagônicos que se mostram,
Que busca é esta ??? Que ansiedade é esta?
Que medo do desconhecido é este ???
Esta é a palavra... MEDO.
Presente em pequenos e grandes momentos
Em coisas que desejamos e conquistamos,
A conquista e a perda ponteadas do medo,
De se entregar, se dar, deixar-se perceber,
Medo que consome vidas e mata mais
Que aids e câncer, que mata o íntimo
O istmo divino que habita em nós,
Aquela vozsinha que surrusa e nos empurra
Aos trancos e barrancos para novos dias,
E reside aí o maior de todos os medos
De amar em liberdade os seres que afloram,
Que crescem e se postam em nossas raízes
Para nos conduzir pelos caminhos tortuosos
Do querer... do amor... do carinho...
Da entrega interior...