BIOGRAFIA DE MANUEL MARIA DE ANDRADA & SILVA

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Manuel Maria Andrada e Silva... Nasceu em São Paulo, na década de 40, no Ipiranga, mora atualmente na Vila Prudente, é formado em Direito e Letras pela Universidade de Coimbra, casado com Manuela Lisboa Andrada e Silva e pai de Fernando Lisboa Andrada e Silva e de Hilda Lisboa Andrada e Silva ambos nascidos em Portugal no Alentejo enquanto o pai percorria a Europa em estudos e pesquisas com a esposa que é professora universitária. Andrada & Silva visa em sua obra o amadurecimento poético em versos concisos e profundos, onde a poesia encontrasse com as águas torrenciais da contemporaneidade. Numa leitura superficial pode-se dizer que sua poesia é prolixa ou quem sabe paradoxal, porém, em analise mais aprofundada descobre-se o poema cru e descorado, que fere e que é ferido... onde o sangue percorre cada sentimento empossando o desejo do poeta.

 

CRUCIFICADO VIVO


Não vi Cristo Jesus naquele cruzamento
Muito menos sudário...
Que lá, mancha revela,
As mortes na encruzilhada.
Feito galos de macumba,
Cachaças, charutos e velas...
Vi fita amarela,
Vi poça de vergonha,
Vi menino seminu vendendo balas de goma!

Livro DOCUMENTADO

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Jenny Saville Apoiada

A MASSA SOBRE O HIRTO, ESTACADA A MASSA PESADA, SOBRE A PONTA DO ESPALDAR, ESPETO HORRIPILANTE DE GORDURA...

LIPO-A-LIPO

A MULHER TEME O PESO, O PESO A BALANÇA, A BALANÇA LEVA AO BISTURI, O BISTURI A RETIRADA DA GORDURA DA MULHER GORDA QUE ESTA DEITADA NUA VIRADA DE COSTA SENDO SUGADA POR UM ASPIRADOR...

LIPO-A-LIPO

A MULHER FOI CRIADA A PARTIR DA COSTELA DO HOMEM, A COSTELA ASSADA TEM GORDURA...

ENTÃO A CULPA É DO HOMEM!

PÓ AO PÓ
LIPO-A-LIPO

Livro MIMESE D’ARTE - VOL. IV


SOMBRA SEM ÁGUA E SECA

 

LÁ ONDE DIZEM QUE A FÉ É MAIOR!
Vejo milhares de pessoas
Caminharem em busca de água...
Quando encontram,
O que chamam de açude,
Um poço, apoucado, e, de água barrenta...
O sorriso sem dentes se apregoa,
E então, com enormes galões
No lombo de burro – “pele e osso”,
Voltam para casa já no colo do entardecer.

Uma penca de moleques desnutridos
Cozinham um feijão ralo,
Carne seca de bode,
Quanto tem, quando não, matam apenas a sede.

E lá, nessa vida desmedida,
Vida de Baleia, Chico Bento,
Severinos e Severinas,
De Josés, Vicentes, Gracilianos,
De Joãos, Guimarães, de Fabianos,
Sinhás, meninos,
Menino e mocambos.

Quantos mais “Josias” vão morrer, crianças, sem saber ler ou Escrever?

Tanto sol, tanto sal e tanta sina...
Um sertão no cinturão de lampião,
Não luze mais, do que senão,
Uma lua que parece sempre um prato vazio...
Salpicado em torno milhares de grãos brilhantes
De areia.

São Vidas Secas,
Quinze,
Mil vezes
Morte e Vida Severina!

Livro POESIAS AO NADA

 

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