MICHÈLE SATO
É apaixonada pelo surrealismo, compreendendo que não é
mera tendência ou escola da arte, mas um movimento político que
autoriza os sonhos rumo à revolução dos sentidos. Atua
como professora e pesquisadora na filosofia da arte e do ambiente, é
sonhadora por um planeta de todos, apaixonada pela vida e sua palavra chama-se
ESPERANÇA.
na dança
em círculo
o mito
na superfície lisa
a esfera criava
Eros, o amor
no cósmico
desenho
o rito
no espaço de brisa
o cometa voava
Orpheu, o canto
Gaia...
pela vida
o grito!
~ Michèle Sato: Orpheu
(Para Herman de Oliveira)
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I. ÁGUA DE MONET
na água que deslizava suave
a espuma levava o esperma
azul na travessia de amar
com o rio encontrando o mar
II. AR DE MAGRITTE
uma brisa tocava os peixes
e o beijo assim foi dado
primeiramente pelos olhos
como nuvens sem ferrolhos
III. FOGO DE VAN GOGH
o vento assoprou a chama
e o lume errático explodiu
como se a paixão imanente
queimasse em mito ardente
IV. TERRA DE DALÍ
encontrou o óvulo em cores
no erotismo no meio do barro
e na terra livre que fecundou
o caracol andarilho assim amou
~ Michèle Sato: CARA-COL
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Brisa esvoaçante
na saudade de espuma
nuvens de algodão-doce
canto do vento
feminino
ar
pensamento
sonho em ninar
a esperança frenética
a ninfa do bosque
poesia de acalento
mulher
brisa
movimento
~ Michèle Sato: a ninfa e o vento
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