PÁGINA ESPECIAL DE THIERS R >

 

Ainda não concluí a partitura na qual componho minha canção. Com certeza vos asseguro: Vivo entre Verbos e Átomos.
Sou um escritor que salva palavras catadas no lixo provocando orgasmos. Entre trapos, silêncios e mentiras, tapo a voz amarga que digere os seres.
Mordo a boca, sangro e vorazmente escrevo, respira a música por entre dedos de vírgulas que abrem verbos fazendo-me respirar.


Pensamentos acerca de silêncios

Thiers R >

Aguardo um poema
descalço
desencontrado
desequilibrado
rabiscado
de silêncios

 

MEDO
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Na frágil linha do arco íris
transita meu medo
como chocolate meio amargo
como fruta cristalizada
como giz que arranha
tenho medo de teu rancor
de teu olhar duro e pontiagudo
que atravessa punhais
sem fachos de luz
na frágil linha
me apunhá-lo
me risco
me exponho
porque sou
uma verdade incerta
porque sou
um poeta
que pisa brasa rastejante
em busca de delírios
inveja seca e mofada
senta e ri em meu sofá.

EM CANTO DE OBOÉ
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Talvez porque não me pertençam
tristezas fazem-me bem
tristezas
paralisadas
no canto direito da nuvem
nostálgica gargalhada
histérica
nua
chora
o canto
d’oboé
segundo dormido
cochila
alça caída
tristeza solene
nu ar
peito nu
meu peito
que a mim
provoca
sorrisos e
miragens
margaridas
alcoolizadas

Calidamente balbuciei
Thiers R >


Era um pedaço, apenas um pedaço
de queijo branco na toalha negra
esparramada ao céu
sua beleza transcendia a vizinhança
era uma fatia dormida
na cama dos lençóis em sombras.
penso que a morderia
mas o medo de fazê-la sangrar
me intimidava.
Branca dominava o mundo
com vontade infinita
eu permitia que reinasse no silêncio
e espiasse palavras
que gostaria de pronunciar
calei-me.
Ali derramou em meu cérebro
sensual branco-azulado, rendi-me.
Doei-me no instante divino e
por momentos ficamos unidos em cópula.
Eu, a lua e nossos silêncios
os lençóis de sombra invejavam
beijos colados de beleza
cavalguei-a com carinho
e suado apesar do frio da noite de inverno
balbuciei calidamente - sou teu! -
Fui, porque me dou inteiro
fechei olhos, bebi um copo d’água,
levantei a cabeça
ela se fora na escuridão
deixando-me a sombra por companheira
acendi a luz tendo ao lado
apenas negro teclado onde agora transcrevo
minha doce, terna e intensa noite de amor.


CAPITULO 1

Thiers R >

no latir
abre-se
o livro
página incerta
momento exato
perfuma ao
submergir
aspira pétalas
mergulho sofrêgo
os lábios estremecem
no toque dos sentidos

2008>

>
FINGE QUE ME AMA

Thiers R >


Precisava vê-la na rua
a bunda saliente
atravessara a palma de minha mão
Ah! mulher
onde escreveste que meu corpo ejacula?
tesão...
onde coloquei minha palavra?
certamente na saliva
do cuspe que te beijei
Vai...
torpe mentira
arranha minhas costas
finge que me ama
marca
a boca tremula
em mim
depois diz:
-salivei emoção
-escorri desejos
tremulo e sonolento
fui na bandeja
retirei o filme
dei pause
voltarei amanhã

 


Preciso da presença aguçada que vomita noites sem lembranças passadas. Guardei-o no vidro com álcool.
Dorme o veneno após fatídica coronhada.

Thiers R >


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