RONALDO FRANCO (Belém/Pará)
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Biografia
Ronaldo Sérgio Batista Franco
sinto medo do ronaldo
solto no papel, onde poeta
me dou abismos.
mas que faria
se já não fosse franco
e se já não tivesse passado pelas paixões do sérgio,
por batista ( saído das fraldas,
das calças curtas,de amores inesquecíveis)
e pelos mares das letras ?
Sou uma constante reescrita.
BAR DO PARQUE
Sem portas
não fecha
o concerto de gargalhadas
nem cala
a liberdade
.
Não algema
mãos delicadas
nem tranca
a escandalosa saudade
.
Sem janelas...
porque o adeus na noite
é obsceno
em desamparados olhares
.
O teto
são cabeças distantes
e o cio de estrelas
da terra
.
O chão:
- a existência
do céu inventado
e o inferno do rim
(no mijo das palavras)
.
É assim o bar
do par que exibe
as bocas naufragadas
entre copos e garrafas
(sobre o lixo da escuridão)
- como um outdoor
do tédio! -
.
(...Esse par que
no barco bêbedo
dentro do mar invisível
quebra-se
nas calçadas do sol...)
.
O bar não fecha a poesia:
não tem portas a noite
nem janelas o dia
.
O bar é par do impossível
que amanhece ímpar
***
(RF)
SEM TÍTULO
Quantos amarronzados
fingiram-se de brancos?
Quantos assumem o pardo
desde Castelo Branco?
Quantos pardos
quando tipóias
juntaram os ossos do amor?
De quantos bichos
os morenos vestiram-se
para serem
humanamente despidos?
Por quantas coxas
a serpente negra passou?
***
(RF)