BIOGRAFIA DE VINICIUS MOTTA


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Numa tarde qualquer de 1997 surgiram na minha cabeça as primeiras
palavras dio que se pode dizer poema. Desde então venho sendo movido
pela busca de entendr um pouco mais do mundo através dos versos.
Escrevendo eaproximo das coisas da vida e das pessoas quando elas se
sentem tocadas pelo que escrevo.
Se me perguntarem se tenho estilo, direi minha única amarra é com a
palavra que é movimento, seja ela bela ou suja.

 


1 - FACES DA MOEDA

Minha pena – não a pena
De conviver com amores escondidos...
De velar a felicidade que morreu
Encravada no pensamento ferido –
Não, não é dessa pena
Que minha inspiração versa.
É da pena esposa das horas,
Aquela das imaginações impróprias.
Verdadeira consoladora
Das noites mal dormidas.

Minha vida – não a vida
Dos demais mortais...
Das razões mais que banais
De dias seqüenciais –
Não, minha vida não
É espera por cada insolação.
É gota de sangue
Que o poeta em mim bastante
Faz sangrar em cada poema.

Minha solidão – não a solidão
Que é infeliz estado em nó...
Que é ser sozinho só,
Solista de apenas uma nota: dó.
Solidão com essa transpiração
Em mim não tem exatidão.
Solidão minha,
Sendo de aura divina,
É um presente supremo.
Ninho que aqui se concebe
Para a palavra em verso
Vida ganhar.

 


2 - JOÃO E MARIA NUM CONTO BRASILEIRO

Fim da madrugada
O começo do dia.
João levanta pra jornada.
Maria acorda para a vida.

Maria vai fazer o café da manhã
Enquanto fala com João:
— Se pra gastar eu tivesse 1 milhão...
João revida:
— Pra quê tanta grana?
Para mim basta a paz de quem ama.
E diz Maria:
— Mas amor não "forra" a barriga.

João vai lutar pelo ganha-pão.
Para o trabalho, pega um lotação:
Uma imensidão de gente e uma grande solidão.
João pensa em Maria
Lavando roupa para comprar
O leite das criancinhas.
A realidade quase faz chorar.

Chega a hora do almoço
Maria prepara um arroz com ovo
Para a legião de famintos:
José, Francisca, Joana e Francisco.
E no trabalho
João come na marmita
Feijão preto com farinha.
Mas é grato ao patrão,
Pois pode ver a televisão
Que em casa não tem.

De tardinha
E na escola, José e Francisca.
Francisco e Joana brincando com a garotada da vila
Enquanto Maria pensa, na cozinha,
Porque a vida é tão sofrida.

Quase de noite
João pega a condução.
Vai retornando ao barracão
Seguindo o seu destino...

As horas vão passando
E Maria fica apreensiva.
Para o jantar João está se atrasando.
Maria está com agonia.

E vem chegando a vizinha:
— Eu vi na televisão
um homem parecido com o João.
E ela sente um aperto no coração.
Não, não pode ser o João.

Maria sai correndo.
A apreensão vai aumentando.
E ela chega no lugar,
Vê um borrão no chão
Ao lado de João.

João morreu.
Mais uma vítima do sistema.
A batalha ele perdeu.
A violência mais uma vida encerra.

E agora
A Maria do milhão
Para aliviar o desespero
Quer a paz de quem ama.
Mas ele foi embora.
Partiu para sempre o João.
Sua alma se livrou do desterro.
Chora sua alma a vizinhança.

João e Maria
Abandonaram os livros,
Os bosques da singela historinha...
E foram parar na página policial.
Viraram notícia de jornal.

 

3 - SANGUE LÍRICO

Por imensidão de amor
Beijar a inconseqüência louca
Na boca
Dentro da história silente dos minutos.

E deixar o olhar mudo
Mais verdade numas mãos
Em flores.
Sentimental cotidiano
Pelo amor não desenhado,
Assim real.

E maior ato que se contenta
Longe de ter perfeição
Nos laços
Escultura a importância
Daquilo ao primeiro contato
Tão simples.

E a chuva vindo,
Água ardente no peito
Lava.
Espraia
O sangue lírico nas veias.

 

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